O uso da Read AI, plataforma que utiliza inteligência artificial para acompanhar reuniões e gerar insights, começou de forma orgânica no Brasil. Dois anos após a fundação, em 2023, a equipe percebeu que alguns usuários, como desenvolvedores de software, estavam utilizando a ferramenta para fazer reuniões com clientes de fora do país. Os sócios decidiram investir no Brasil e, atualmente, a regi é um dos quatro mercados em receita e quantidade de usuários. Agora, a startup se prepara para desembarcar em território brasileiro.
“Temos algo que está crescendo organicamente, onde as pessoas amam o produto e são usuárias ativas, então devemos investir mais nesse mercado porque até agora não fizemos ações de marketing e não temos uma equipe local”, afirmou David Shim, cofundador e CEO da Read AI, em entrevista durante o Web Summit Rio 2026.
A startup foi fundada em Seattle, nos Estados Unidos, a partir da percepção de Shim sobre como as reuniões podem ser improdutivas. A tecnologia é uma assistente de inteligência artificial que acompanha e toma notas nos encontros, analisando o que é dito, a entonação da voz e os movimentos dos participantes. A partir das observações, a tecnologia gera relatórios sobre o conteúdo, com sugestões de próximas ações, e até atua como “coach”, avisando quando o usuário falou rápido demais ou poderia ter usado uma linguagem melhor.
“Se você é um empreendedor que faz inúmeras reuniões por dia, pode esquecer de fazer um acompanhamento sobre o que foi dito e o que precisa ser feito a seguir. A plataforma te lembra e pode escrever e-mails, fazer pesquisas, a partir do que foi discutido. Com a integração às mensagens e documentos, a IA aprende e se torna uma espécie de funcionário”, explicou.
Shim apontou que o empreendedor brasileiro é mais inclinado a testar tecnologias do que os norte-americanos. “Quando iniciamos nos EUA, tivemos de convencer as pessoas de que era seguro, de que a IA não iria roubar o emprego delas. No Brasil, eles perguntam como podem adotar IA para compartilhar informações com o time e ter melhores resultados.”
Após perceber o potencial do mercado brasileiro, a Read AI investiu na construção de um modelo para o português usado aqui, sinalizando as diferenças para o português de Portugal – o cofundador não abriu valores de investimento. Outra distinção é a inclusão do Pix como um dos métodos de pagamento pela solução, que custa a partir de R$ 80.
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Segundo Shim, a startup registrou um crescimento de usuários desde o início de 2025, com um milhão de contas sendo criadas. Em comparação com o mesmo período no ano passado, a receita aumentou 291%. “A maioria dos clientes no Brasil são pequenas e médias empresas. Apenas 10% dos nossos clientes são grandes empresas com mais de 10 mil colaboradores”, contou. Os mercados com maior adoção são Estados Unidos, Reino Unido e México.
O CEO afirmou que a próxima estratégia para seguir crescendo no Brasil é inicialmente contratar uma pessoa para atender a operação direto dos Estados Unidos. Em seguida, a ideia é abrir um escritório no país, com o objetivo de se aproximar dos clientes. “Queremos construir uma presença maior. Existem grandes empresas e entidades governamentais que gostariam de fazer reuniões presenciais para conhecer a solução”, disse.
Outra novidade que deve chegar em breve é a integração com o WhatsApp, considerando o volume de comunicações que acontecem pela plataforma de mensagens rápidas. Shim contou que a empresa está trabalhando nisso atualmente, mas o lançamento deve ficar para o fim do ano.
A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.













