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Copom reduz Selic em 14,25% e mantém ciclo de cortes; cenário segue desafiador para empreendedores

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17/06) reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano. A decisão reforça a postura cautelosa da autoridade monetária diante da inflação persistente, da desancoragem das expectativas e das incertezas fiscais. A diminuição da taxa em 0,25% ocorre em um cenário de pressão inflacionária. Em maio deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58%, elevando o acumulado em 12 meses para 4,72%, acima do teto da meta de 4,5%.
Em ata divulgada após encontro, a autarquia diz que a decisão levou em consideração as incertezas do ambiente externo. “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz o texto.
O último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (15/6), mostrou que as projeções para a inflação de 2026 subiram pela 14ª semana consecutiva, alcançando 5,3%. Especialistas ouvidos por PEGN avaliam que Banco Central optou por uma estratégia conservadora para “tentar reancorar as expectativas de inflação”.
Segundo Paula Sauer, professora da FIA Business School, a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) continua acima do centro da meta. A economista ressalta que “qualquer dúvida sobre o cumprimento do arcabouço fiscal aumenta o prêmio de risco exigido pelos investidores e dificulta a redução dos juros”.
Na avaliação de Ricardo Summa, economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a decisão está alinhada ao mandato da autoridade monetária. “Já que a inflação está saindo da meta, o BC usa o instrumento que tem para tentar atingir”, afirma.
Por outro lado, Rafael Ribeiro, economista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca que “o ciclo de queda da Selic poderá ser interrompido antes do que era inicialmente previsto”, uma vez que o Banco Central “eleva a taxa de juros para poder ancorar as expectativas de mercado”.
Juros altos mantêm pressão sobre pequenas e médias empresas
A manutenção da Selic na casa dos 14% tem efeitos diretos sobre o caixa e os planos de crescimento das pequenas e médias empresas. “Com a taxa nesse patamar, o capital de giro continua bem caro, antecipação de recebíveis fica mais onerosa, financiamentos para expansão são adiados e o consumo das famílias desacelera”, pontua Sauer.
Na mesma linha, Bruna Centeno, economista , sócia e advisor da Blue3 Investimentos, avalia que os juros elevados funcionam como um desestímulo à economia real. “Pensa a ponta do empreendedor? Hoje, se ele deixar o capital rendendo a juros, ele ganha 1%. Então, qual o benefício que ele tem de ir para a economia real, onde essa Selic vai diminuir ali a margem de ganho?”, questiona.
A economista acrescenta que as empresas também enfrentam pressão sobre os custos. “Diminuição de margem de receita no momento que juros vai bater muito forte no custo”, diz.
De acordo com Summa, a manutenção da taxa em um contexto de desaceleração econômica reduz o “apetite por investimentos produtivos”. Com projeções de crescimento de apenas 1,6% para 2026, segundo algumas estimativas do mercado, o cenário tende a inibir projetos de expansão. “Menos gente vai querer comprar máquinas, expandir fábrica, porque a demanda está crescendo cada vez menos”, afirma.
Cenário externo e clima permanecem no radar
Apesar de sinais de alívio no cenário internacional, como o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, os riscos externos continuam exigindo cautela. “Tivemos uma deterioração muito importante no cenário externo, e isso não deve reverter tão rapidamente”, adverte Centeno.
Segundo ela, o anúncio recente de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode pressionar o câmbio, encarecer importações e dificultar o processo de desinflação.
No cenário doméstico, Ribeiro chama atenção para os riscos climáticos. O economista destaca que o Super El Niño, definição popular para episódios com maior intensidade do fenômeno climático, pode afetar safras agrícolas e a oferta de energia, gerando novos choques de custos.
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