Um novo viral gastronômico está tomando conta das redes sociais e das vitrines de confeitarias por todo o Brasil. O nome da iguaria, no entanto, varia: X-Bolo, Cake Burger ou Sweet Burger. O conceito é uma releitura doce do hambúrguer tradicional, unindo a estética do lanche salgado com a base de bolos artesanais e recheios generosos. A proposta é oferecer a praticidade de comer o bolo diretamente com as mãos, dispensando o uso de pratos e talheres.
A receita foca em simular a estrutura de um hambúrguer: massas de bolo (branca ou de chocolate) fazem o papel do pão, enquanto brigadeiros estruturados, pudins ou brownies representam a “carne”. Os “molhos” e “acompanhamentos” são feitos com caldas, cremes de pistache (que lembram a maionese verde), morangos e cereais para simular a textura crocante. Nas redes sociais, o alcance é massivo: a hashtag #sweetburger ultrapassa 5 mil publicações, enquanto #cakeburger e #xbolo somam milhares de menções, com vídeos individuais alcançando a marca de 8 milhões de visualizações.
O movimento ganhou força com Sharine Dombroski, uma confeiteira de Serra Negra (SP), que apostou no produto buscando uma experiência prática para comer doce no sofá com a família. Inspirada pelo lanche “X-Tudo”, ela conta que criou o nome X-Bolo focando na inovação da experiência. “Eu quis trazer essa ideia de comer um bolo com as mãos”, afirma.
Diferente de outras tendências, a confeiteira encarou a ideia como um negócio estruturado. Ela protocolou o registro da marca X-Bolo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 13 de maio, um dia após a postagem do primeiro vídeo viral. Hoje, a empreendedora vende de 80 a 120 unidades por dia e lançou a Comunidade X-Bolo para ensinar outros confeiteiros a replicarem o produto com qualidade e precificação correta. “O X-Bolo foi feito para ser a marca da minha confeitaria, mas não acredito em um mundo de retenção. Acredito num mundo de abundância”, explica ela, detalhando que o item custa entre R$ 38 e R$ 42.
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Em Brasília (DF), Jeniffer Moura, proprietária da Doçuras da Jeny, percebeu que ninguém na capital federal havia trazido a proposta e decidiu sair na frente. Atuando há 10 anos na confeitaria ao lado de sua mãe, ela viu no produto uma forma de criar desejo por meio de vídeos e montagens pensadas para o Instagram. Uma das suas publicações, por exemplo, atingiu 246 mil visualizações.
A confeitaria oferece versões que variam de 400g a 700g, servindo de duas até quatro pessoas. Com preços entre R$ 27 e R$ 50, ela destaca que a novidade atrai quem busca o “instagramável”. “O pessoal vem com a expectativa lá em cima e me fala: ‘Jeny, é doce na medida certa'”, relata.
Na Zona Leste de São Paulo (SP), Felipe Mendes, que está à frente da Dedo Doce Confeitaria, utiliza produtos virais como o Cake Burger para atrair novos consumidores para seu negócio. Formado em gestão financeira, ele migrou para a confeitaria para canalizar o estresse e hoje usa as tendências como chamariz.
Ele postou sua versão inicialmente sem intenção de venda, apenas para testar a demanda, e em três dias comercializou cerca de 70 unidades. Para Mendes, a viabilidade está na base do prato: “O produto em si é composto por coisas que a gente já utiliza: massa de bolo e brigadeiro cremoso”. O Cake Burger da Dedo Doce pesa em média 400g e é vendido por R$ 43,90 na loja física.
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A Bololô Bolos e Doces, em São José do Rio Preto (SP), também apostou no produto para alavancar as vendas. Camila Castelli, fundadora da empresa com 14 anos de história na confeitaria, rapidamente adaptou a ideia do Sweet Bolo, criando diferenciais como a “maionese verde” de pistache. O vídeo postado por sua filha e sócia, Ana Carolina Castelli, ultrapassou 8 milhões de visualizações no Instagram.
Castelli ressalta que a repercussão atraiu clientes que nunca tinham visitado a loja, impulsionando a venda de outros itens. “A visibilidade que nós estamos ganhando por conta do vídeo é muito maior do que a questão mesmo do produto em si”, afirma. O sabor campeão de vendas na Bololô é o de brigadeiro com morango.
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A Sodiê Doces, rede de franquias de bolos artesanais, também lançou sua linha de Cake Burger. A companhia planejou o lançamento para coincidir com o Dia Mundial do Hambúrguer, comemorado nesta quinta-feira (28/5), para reforçar a estratégia de produtos guiados pelo comportamento digital.
A versão da rede foca em mini-hambúrgueres de 200g, com preço fixo de R$ 25 (exceto linhas especiais como pistache e Nutella). “Nosso objetivo é unir criatividade, experiência e qualidade em produtos que conversem com o momento atual”, afirma Fábio Araujo, diretor geral da rede.
Inserir produtos virais é uma boa estratégia? O que dizem os especialistas
Apesar do sucesso visual, a entrada em uma tendência exige cautela. Especialistas consultados por PEGN explicam que o segredo do viral alimentar está na “construção de cena”, como o recheio escorrendo e o exagero controlado. No entanto, o erro comum é o negócio nascer pensando apenas no conteúdo e esquecer a operação.
Felipe Destri, consultor de negócios do Sebrae-SP, reforça a necessidade de avaliar se o produto é uma tendência real ou apenas um modismo passageiro. Ele sugere utilizar a novidade como “porta de entrada” para atrair clientes para o cardápio fixo. No entanto, Destri faz um alerta crucial sobre a viabilidade financeira: “É fundamental fazer o levantamento correto dos custos por meio das fichas técnicas e calcular a margem unitária. Um produto precificado de forma errada pode causar um dano irreversível na empresa”.
Para os especialistas, a sustentabilidade a longo prazo depende de não ser um “one hit wonder” (sucesso de um hit só), focando na consistência operacional e na construção da marca, e não apenas na dependência de uma única “estrela” visual.
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A receita foca em simular a estrutura de um hambúrguer: massas de bolo (branca ou de chocolate) fazem o papel do pão, enquanto brigadeiros estruturados, pudins ou brownies representam a “carne”. Os “molhos” e “acompanhamentos” são feitos com caldas, cremes de pistache (que lembram a maionese verde), morangos e cereais para simular a textura crocante. Nas redes sociais, o alcance é massivo: a hashtag #sweetburger ultrapassa 5 mil publicações, enquanto #cakeburger e #xbolo somam milhares de menções, com vídeos individuais alcançando a marca de 8 milhões de visualizações.
O movimento ganhou força com Sharine Dombroski, uma confeiteira de Serra Negra (SP), que apostou no produto buscando uma experiência prática para comer doce no sofá com a família. Inspirada pelo lanche “X-Tudo”, ela conta que criou o nome X-Bolo focando na inovação da experiência. “Eu quis trazer essa ideia de comer um bolo com as mãos”, afirma.
Diferente de outras tendências, a confeiteira encarou a ideia como um negócio estruturado. Ela protocolou o registro da marca X-Bolo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 13 de maio, um dia após a postagem do primeiro vídeo viral. Hoje, a empreendedora vende de 80 a 120 unidades por dia e lançou a Comunidade X-Bolo para ensinar outros confeiteiros a replicarem o produto com qualidade e precificação correta. “O X-Bolo foi feito para ser a marca da minha confeitaria, mas não acredito em um mundo de retenção. Acredito num mundo de abundância”, explica ela, detalhando que o item custa entre R$ 38 e R$ 42.
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Em Brasília (DF), Jeniffer Moura, proprietária da Doçuras da Jeny, percebeu que ninguém na capital federal havia trazido a proposta e decidiu sair na frente. Atuando há 10 anos na confeitaria ao lado de sua mãe, ela viu no produto uma forma de criar desejo por meio de vídeos e montagens pensadas para o Instagram. Uma das suas publicações, por exemplo, atingiu 246 mil visualizações.
A confeitaria oferece versões que variam de 400g a 700g, servindo de duas até quatro pessoas. Com preços entre R$ 27 e R$ 50, ela destaca que a novidade atrai quem busca o “instagramável”. “O pessoal vem com a expectativa lá em cima e me fala: ‘Jeny, é doce na medida certa'”, relata.
Na Zona Leste de São Paulo (SP), Felipe Mendes, que está à frente da Dedo Doce Confeitaria, utiliza produtos virais como o Cake Burger para atrair novos consumidores para seu negócio. Formado em gestão financeira, ele migrou para a confeitaria para canalizar o estresse e hoje usa as tendências como chamariz.
Ele postou sua versão inicialmente sem intenção de venda, apenas para testar a demanda, e em três dias comercializou cerca de 70 unidades. Para Mendes, a viabilidade está na base do prato: “O produto em si é composto por coisas que a gente já utiliza: massa de bolo e brigadeiro cremoso”. O Cake Burger da Dedo Doce pesa em média 400g e é vendido por R$ 43,90 na loja física.
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A Bololô Bolos e Doces, em São José do Rio Preto (SP), também apostou no produto para alavancar as vendas. Camila Castelli, fundadora da empresa com 14 anos de história na confeitaria, rapidamente adaptou a ideia do Sweet Bolo, criando diferenciais como a “maionese verde” de pistache. O vídeo postado por sua filha e sócia, Ana Carolina Castelli, ultrapassou 8 milhões de visualizações no Instagram.
Castelli ressalta que a repercussão atraiu clientes que nunca tinham visitado a loja, impulsionando a venda de outros itens. “A visibilidade que nós estamos ganhando por conta do vídeo é muito maior do que a questão mesmo do produto em si”, afirma. O sabor campeão de vendas na Bololô é o de brigadeiro com morango.
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A Sodiê Doces, rede de franquias de bolos artesanais, também lançou sua linha de Cake Burger. A companhia planejou o lançamento para coincidir com o Dia Mundial do Hambúrguer, comemorado nesta quinta-feira (28/5), para reforçar a estratégia de produtos guiados pelo comportamento digital.
A versão da rede foca em mini-hambúrgueres de 200g, com preço fixo de R$ 25 (exceto linhas especiais como pistache e Nutella). “Nosso objetivo é unir criatividade, experiência e qualidade em produtos que conversem com o momento atual”, afirma Fábio Araujo, diretor geral da rede.
Inserir produtos virais é uma boa estratégia? O que dizem os especialistas
Apesar do sucesso visual, a entrada em uma tendência exige cautela. Especialistas consultados por PEGN explicam que o segredo do viral alimentar está na “construção de cena”, como o recheio escorrendo e o exagero controlado. No entanto, o erro comum é o negócio nascer pensando apenas no conteúdo e esquecer a operação.
Felipe Destri, consultor de negócios do Sebrae-SP, reforça a necessidade de avaliar se o produto é uma tendência real ou apenas um modismo passageiro. Ele sugere utilizar a novidade como “porta de entrada” para atrair clientes para o cardápio fixo. No entanto, Destri faz um alerta crucial sobre a viabilidade financeira: “É fundamental fazer o levantamento correto dos custos por meio das fichas técnicas e calcular a margem unitária. Um produto precificado de forma errada pode causar um dano irreversível na empresa”.
Para os especialistas, a sustentabilidade a longo prazo depende de não ser um “one hit wonder” (sucesso de um hit só), focando na consistência operacional e na construção da marca, e não apenas na dependência de uma única “estrela” visual.
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