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‘É uma questão de tempo’: cofundadora da Kalshi aposta que mercado de previsões superará o de ações

Nascida e criada no Rio de Janeiro, Luana Lopes Lara diz que o Brasil moldou a sua personalidade como empreendedora. Para a cofundadora da Kalshi, o típico otimismo brasileiro foi essencial para lidar com os desafios à frente da startup do mercado de previsão. Esse espírito explica a confiança de Lopes em uma mudança cultural em curso.
“Num jantar, as pessoas não falam sobre como as ações da Meta flutuam por causa de um novo data center anunciado. Elas falam das eleições, do futebol. É mais intuitivo, mais humano pensar dessa forma do que em ativos financeiros. É uma questão de tempo [para ganhar a relevância do mercado de ações]”, opinou durante a abertura do Web Summit Rio 2026, que teve início nesta segunda-feira (8/6).
O jeitinho brasileiro de acreditar no “copo meio cheio” ajudou na trajetória da startup. “A Kalshi passou três ou quatro anos sem produto, tentando lidar com a regulamentação. Foi difícil mentalmente continuar mesmo com tantos ‘nãos’. Muito do que me manteve veio do meu background no Brasil, de acreditar que vai dar certo, de focar no positivo. Sem isso, a Kalshi não estaria aqui”, disse.
A trajetória de Lara ganhou reconhecimento global neste ano, quando a revista Forbes a consagrou como a bilionária self-made mais jovem do mundo. Em maio, a startup atingiu o valuation de US$ 22 bilhões (R$ 113 bilhões).
A plataforma, que permite que usuários negociem contratos baseados em eventos do mundo real — de eleições a eventos climáticos — foi classificada pelo Bank of America como a empresa de crescimento mais rápido que não seja de inteligência artificial. O modelo de negócios, porém, gerou críticas pela semelhança com o mercado de apostas.
“Acho que é quase um trabalho de educação sobre as diferenças. Há muitos outros setores que nos atacam porque nos veem como uma ameaça ao que fazem. Toda vez que uma grande indústria é disruptada, eles tentam te parar”, comentou.
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Ela admite que há risco na plataforma – “pessoas perdem dinheiro na Kalshi, há risco em qualquer coisa” – mas argumenta que a natureza dos mercados de previsão é mais intuitiva e segura do que outras formas de especulação financeira.
A trajetória da Kalshi nos Estados Unidos envolveu alta dose de regulação. De acordo com a brasileira, a startup levou anos educando reguladores, mídia e público antes de conseguir operar amplamente. Esse caminho, segundo ela, é o mesmo que precisará ser percorrido em outros países, incluindo o Brasil, onde o mercado de previsão ainda é proibido.
“O que está acontecendo no Brasil hoje é parecido com o que acontecia nos EUA em 2018 e 2019, quando começamos. Depois de anos, hoje o modelo é amplamente aceito. Nosso trabalho como empresa é entender como educar esses países. Esperamos ter sucesso aqui e em outros mercados”, afirmou.
Lara não deu um prazo para o início da operação no país natal. “Queremos vir para o Brasil em breve, mas vamos trabalhar com o governo para fazer isso do jeito certo”, disse.
Com 170 funcionários e uma estrutura deliberadamente enxuta e horizontal, a Kalshi opera com uma filosofia clara. “Sempre há apenas uma pessoa entre mim e qualquer outra na empresa”, explicou Lara. Cada engenheiro trabalha com cerca de 20 agentes de IA para aumentar a eficiência operacional. A meta é chegar a 500 funcionários em três anos, com contratações concentradas em engenharia, design, marketing, compliance e vigilância de mercado.
A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.

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