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Ela se endividou para comprar o bar que virou símbolo da luta pelos direitos LGBTQIA+

A norte-americana Stacy Lentz entrou pela primeira vez em um bar destinado ao público LGBTQIA+ aos 24 anos e a experiência mudou a sua vida. Ali, ela sentiu pertencimento. Anos depois, ela se endividou para comprar o Stonewall Inn, bar em Nova York que se tornou símbolo mundial na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+.
Em entrevista ao site Business Insider, ela relembrou o momento em que ficou sabendo que o Stonewall Inn iria fechar, em 2006. “Percebemos que tínhamos a chance de preservar a história para a nossa comunidade. Então, com outros dois sócios, compramos o bar. Fiquei endividada, mas era uma oportunidade única.”
O bar entrou para a história por causa da revolta de Stonewall, quando gays, lésbicas e pessoas trans enfrentaram a repressão policial da época e iniciaram um protesto pelos direitos da comunidade que durou seis dias, em 1969. Por causa desse acontecimento, o Dia do Orgulho LGBTQIA+ é celebrado neste domingo (28/6). O estabelecimento fechou logo após os protestos, mas reabriu nos anos 1990 como um bar gay, momento em que Lentz conheceu o espaço pela primeira vez.
Nascida e criada no Kansas, ela diz que sua vida escolar foi compartilhada com as mesmas 16 pessoas, fase em que já notava a atração por mulheres. Aos 20 anos, mudou-se para Nova York e descobriu outras possibilidades. Foi na cidade que ela teve a oportunidade de frequentar bares LGBTQIA+ – em um deles, conheceu Kurt Kelly, que se tornou um grande amigo e, posteriormente, sócio.
Segundo Lentz, não existia experiência prévia como empreendedora: ela tinha background em marketing e era ativista pelos direitos LGBTQIA+. Apesar de acreditar no potencial do estabelecimento, ela revela que o primeiro ano foi muito difícil. “O teto colapsou e tivemos que investir na reforma do espaço”, conta.
O investimento inicial foi devolvido em alguns anos, mas ela afirma que nunca ganhou muito dinheiro com o empreendimento. O aluguel mensal é de US$ 55 mil (R$ 284 mil, na conversão atual). “Para mim, nunca foi sobre dinheiro. Vejo a mim e aos meus sócios como guardiões desse lugar. Quando compramos, não havia nenhuma informação sobre a história do Stonewall Inn a vista. Hoje, trazemos artefatos históricos e, no andar superior, temos um centro comunitário onde fazemos eventos e casamentos”, comenta.
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Por acreditarem que o bar vai além de um simples negócio, os sócios criaram uma ONG, a Stonewall Inn Gives Back Initiative, que realiza treinamentos para outros estabelecimentos e presta apoio para pessoas que sofrem discriminação.
“É algo do qual temos muito orgulho. Se contarmos com o nosso legado, sem tomar atitudes, vira apenas marketing. É por isso que estamos determinados a honrar o passado do bar, mas também causar um impacto no futuro da comunidade LGBTQIA+”, conclui.

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