Muito antes de empreender nos Estados Unidos, o brasileiro Rogério Francisco já passava os dias dentro de oficinas mecânicas em São Paulo. Aos 12 anos, iniciou os primeiros trabalhos com pintura e reparação automotiva, desenvolvendo uma experiência prática que, décadas depois, se transformaria em um negócio voltado à restauração de veículos clássicos e recuperação estrutural de automóveis no mercado americano.
Apaixonado por carros antigos desde a infância, Rogério construiu a carreira diretamente no chão de oficina. Ainda jovem, começou a trabalhar de forma independente e, aos 17 anos, já realizava serviços próprios de reparação e acabamento automotivo. Pouco tempo depois, ingressou no Exército Brasileiro, onde passou a atuar na manutenção de viaturas militares.
“Eu sempre procurei trabalhar com aquilo que gostava. Dentro do Exército, consegui atuar justamente na área automotiva”, afirma.
Entre os anos 2000 e 2005, retornou à corporação como sargento e chefe de garagem do então 21º Batalhão de Suprimentos, localizado na zona oeste de São Paulo. A unidade era responsável pela logística de abastecimento de batalhões em diversas regiões do país, operação que envolvia caminhões, carretas e veículos utilizados no transporte de suprimentos militares.
Segundo Rogério, a experiência ajudou a desenvolver disciplina operacional, organização e gestão de equipes, conhecimentos que mais tarde seriam aplicados no empreendedorismo. Em 2007, decidiu abrir a própria empresa: a Box 73, especializada em estética automotiva, polimento técnico, martelinho de ouro e restauração de veículos antigos.
O negócio cresceu rapidamente impulsionado pela reputação construída no segmento e pela especialização técnica em carros clássicos. Em poucos anos, a empresa passou a atender cerca de mil veículos por mês e realizava entre 100 e 150 serviços mensais de restauração, acabamento e reparos especializados.
Antes da mudança para os Estados Unidos, a Box 73 operava com faturamento médio entre R$ 100 mil e R$ 120 mil mensais e mantinha uma equipe de 22 profissionais treinados pelo próprio empresário. “Sempre tive preocupação em formar mão de obra especializada. Todos os profissionais que passaram pela empresa foram treinados por mim”, explica.
Ao longo da trajetória no Brasil, Rogério se tornou conhecido principalmente pela restauração de carros antigos, segmento que define como artesanal e altamente técnico. Modelos clássicos como Opalas, Caravans e caminhonetes antigas fizeram parte da rotina da oficina durante anos.
Em 2020, decidiu iniciar uma nova etapa da carreira nos Estados Unidos. A mudança aconteceu em meio à pandemia e exigiu uma reconstrução profissional praticamente do zero. A operação brasileira ainda permaneceu ativa por um período sob gestão familiar até a venda definitiva da empresa.
“Foi uma decisão difícil, mas eu entendia que precisava começar uma nova fase. A empresa já era consolidada e acabou sendo vendida rapidamente”, relembra.
Já nos Estados Unidos, Rogério adaptou o modelo de atuação ao mercado local e passou a oferecer reparos automotivos móveis, serviço em que os atendimentos são realizados diretamente na residência ou local de trabalho do cliente.
“Percebi que muitos clientes valorizavam praticidade. Então levei a oficina até eles”, conta.
Hoje, estabelecido na Carolina do Norte, região marcada pela forte cultura automotiva ligada à NASCAR, o empresário atua na recuperação estrutural, restauração e revenda de veículos. Parte dos automóveis adquiridos vem de leilões de seguradoras americanas, incluindo carros classificados como perda total.
A proposta do negócio é justamente recuperar veículos considerados inviáveis a partir de técnicas de reconstrução e reaproveitamento estrutural desenvolvidas ao longo de mais de quatro décadas de experiência.
“Onde muita gente vê um carro perdido, eu vejo potencial para reconstruir”, afirma.
Segundo ele, um dos diferenciais está na velocidade de execução dos serviços. Enquanto oficinas locais podem levar semanas para determinados reparos, Rogério realiza parte dos trabalhos em poucos dias. A agilidade chamou a atenção de investidores americanos, que passaram a estabelecer parcerias para compra, recuperação e comercialização de veículos.
Agora, o próximo passo envolve a expansão da operação e a formação de novos profissionais especializados no setor automotivo. O empresário trabalha na estruturação de um modelo voltado a treinamento técnico e expansão do negócio nos Estados Unidos.
“Quero transformar toda a experiência que adquiri ao longo da vida em algo escalável, formando profissionais e ampliando esse modelo de atuação”, finaliza.








