A artista plástica Edite Cota Rocha Uchôa, 70 anos, vive um momento de renovação em sua trajetória de mais de duas décadas na pintura de porcelanas. Um vídeo publicado há pouco mais de um mês, que mostra a produção de uma receita de bolo gravada manualmente em um prato a pedido de um cliente, já ultrapassa 900 mil visualizações no Instagram. O impacto foi imediato e o perfil saltou de 7 mil para 53,8 mil seguidores.
Com o ateliê em Belo Horizonte (MG), a empreendedora acredita que o sucesso do conteúdo está ligado à carga afetiva da peça. “As pessoas entenderam que ali tinha um afeto, uma história. Pegou a veia certa”, afirma. O retorno do público também a surpreendeu. “O que eu recebi de comentários amorosos e afetuosos foi impressionante. Tinha gente falando que chorou, que lembrou da mãe, da avó”, relata.
Embora o sucesso recente pareça repentino, a base do negócio foi construída ao longo de 25 anos. A artista plástica começou atendendo encomendas de pessoas próximas e participando de feiras de artesanato e bazares na capital mineira. Ela destaca que a clientela cresceu de forma orgânica, impulsionada pela qualidade das peças. “A rede foi se multiplicando por meio do produto, e eu também imprimo muito essa preocupação com a qualidade da porcelana e das tintas”, explica.
Com o avanço da internet e, há cerca de cinco anos, a criação do e-commerce, a visibilidade se expandiu significativamente, segundo ela. A estratégia de tráfego pago, aliada à autenticidade da artista nas redes sociais, foi um dos impulsionadores do crescimento. Quanto à produção de conteúdo nas redes, a empreendedora explica que o objetivo sempre foi mostrar quem está por trás das peças. “Eu quis estar ali do meu jeito, porque isso passa um valor de credibilidade da pessoa que faz”, diz.
De acordo com a artista plástica, o diferencial do negócio está no equilíbrio entre o trabalho artesanal e a necessidade de escala para garantir a sustentabilidade financeira da operação. “O trabalho artesanal não se paga se você ficar só trabalhando e pegando encomenda”, afirma. Por isso, ela criou uma dinâmica capaz de multiplicar a produção sem abrir mão da qualidade. Ela desenvolveu coleções com bases prontas, o que permite agilidade na entrega.
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Os artigos de pronta entrega, que permitem personalizações rápidas, como gravar um nome em uma peça, são enviados em até dois dias. Já os projetos sob medida e exclusivos demandam de cinco a sete dias úteis, envolvendo processos de criação, risco e sucessivas queimas para fundir a tinta ao esmalte da porcelana.
No caso do prato de receita que viralizou, a escrita manual leva cerca de 15 minutos para ser concluída, já que a base decorada está pronta para receber o texto. A empreendedora destaca que utiliza ferramentas específicas para alcançar a precisão desejada. “Não é com caneta, é com a pena”, ressalta.
A produção é diversificada e o item mais acessível é a xícara de café com pires, vendida por R$ 38, enquanto conjuntos completos podem chegar a R$ 1,5 mil. Além da coleção “Passarinho”, que tem reposição semanal, os pratos de família e os pratos de receita estão entre os produtos mais procurados.
Em períodos de alta demanda, como Dia das Mães, Natal e Dia dos Professores, o faturamento pode atingir entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por mês. Após a viralização, a produção do prato de receita chegou a quase 100 unidades em poucos dias. Atualmente, o negócio conta com duas funcionárias e um estoque de produtos prontos avaliado em mais de R$ 200 mil. Para atender ao crescimento das vendas, ela reforça que manter peças disponíveis é fundamental. “A demanda chega e, se você não tem, perde o cliente”, afirma.
Sobre a repercussão, a empreendedora define o momento como “resultado de um projeto construído ao longo dos anos”. Para os próximos meses, a empreendedora planeja lançar três novas coleções e ampliar os resultados do negócio.
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