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Grupo russo de franquias chega ao Brasil com cafeterias autônomas temáticas de capivara — e mira 600 unidades

Maior produtor de café do mundo, o Brasil chama atenção também quando o assunto é o consumo de bebidas à base do insumo. De olho nesse mercado, a Franch.Global, holding russa de franquias, acaba de desembarcar no Brasil. A aposta do grupo é uma marca própria de cafeterias autônomas, a Capipoint. Após cerca de dois meses com um projeto piloto, a empresa deu início à expansão no último mês e já trabalha com uma meta agressiva: chegar a 600 unidades em 2026.
Há 14 anos no mercado de franquias, a Franch.Global opera marcas próprias e acelera outros negócios que buscam crescer no franchising. Ao todo, o grupo soma 30 mil unidades em operação em seu ecossistema. O interesse pelo café surgiu em 2019 e, desde então, o Brasil foi aos poucos entrando no radar da holding.
“Trabalhando na Rússia e em outros países, notamos como vários dos nossos parceiros gostam de café e vimos uma oportunidade de negócio, já que o consumo se divide principalmente entre cafés feitos pelas próprias pessoas, cafés comprados em cafeterias, geralmente mais caros, ou cafés de vending machines, geralmente de qualidade inferior”, diz Sergey Degtyarev, fundador da Franch.Global, holding por trás da Capipoint Coffee Business.
Segundo Degtyarev, a solução que a empresa encontrou para explorar o mercado foi criar uma rede de “cafeterias inteligentes” com o objetivo de unir praticidade, preço baixo e qualidade. “A ideia foi criar um quiosque 100% autônomo, com bons produtos e que permitisse praticidade tanto para o consumidor quanto para o franqueado”, afirma Degtyarev.
De acordo com o executivo, a rede russa nesse formato chegou a 5 mil unidades em operação em dois anos. Hoje, fora do Brasil, o grupo já opera duas redes no modelo de cafeteria self service, a Hohoro e a Lifehacker. Com a expansão acelerada, a empresa começou a estudar o potencial de outros mercados para negócios semelhantes – foi quando o Brasil chamou atenção.
O executivo afirma que a empresa já via o franchising brasileiro como um mercado maduro e, com o alto volume de café consumido no país (equivalente a cerca de 13% da demanda mundial, segundo a Organização Internacional do Café), a holding passou a estruturar um projeto próprio para o público brasileiro. Para isso, o grupo investiu mais de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões na cotação atual).
Com a capivara com símbolo da marca, a Capipoint opera com uma estrutura tecnológica importada, mas com insumos brasileiros. O menu inclui 20 opções de bebidas, incluindo variações de tamanho e itens sem café, além de quatro xaropes adicionais que podem ser incorporados às preparações. As receitas foram desenvolvidas por baristas brasileiros.
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De acordo com Irina Rybina, diretora de desenvolvimento da Capipoint no Brasil, o modelo foi pensado para locais de alto fluxo, como estacionamentos, centros empresariais, hospitais, estações e terminais, escolas e universidades, shoppings, cartórios, aeroportos, supermercados, entre outros. Rybina afirma que a franqueadora auxilia o franqueado na escolha do melhor local de instalação da máquina, mas ressalta que a unidade pode ser migrada com facilidade para outro espaço caso os resultados de um lugar não atinjam as expectativas.
Segundo a diretora da marca, as unidades contam com câmeras de segurança com IA para auxiliar na proteção das máquinas. O franqueado pode acompanhar a operação com visitas semanais à unidade, sem necessidade de funcionários. O monitoramento das máquinas é realizado de forma online, por meio de uma plataforma que identifica a necessidade de reposição de insumos e eventuais ocorrências.
“Observamos a tendência de autosserviço no país em diferentes frentes, como lavanderias, mercados autônomos e vending machines, ou seja, o Brasil está adepto e gosta desse modo de consumo”, diz Rybina.
Os primeiros testes foram feitos com cinco unidades próprias, modelo que deve integrar a estratégia de expansão, apesar do foco em franquias. Até agora, a rede conta com 15 pontos de venda, devididos entre as cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Atibaia (SP), Osasco (SP) Suzano (SP) e Curitiba (PR). Do total, nove são franquias.
De acordo com Degtyarev, não há estados específicos na mira da companhia. A expectativa é crescer a nível nacional em qualquer cidade acima de 10 mil habitantes. Até o fim deste mês, a empresa estima 20 unidades em funcionamento. Até o final do ano, o fundador afirma que o planejamento prevê até 600 operações.
“Na Rússia já tivemos sucesso e aqui esperamos resultados ainda melhores por diversas condições do mercado. Além de o brasileiro consumir quatro vezes mais café na comparação com a Rússia, o mercado de franquias facilita o crescimento, já que aqui não há limites de quantas unidades um mesmo franqueado pode operar”, aponta Degtyarev.
Cada unidade exige um investimento inicial de R$ 75 mil, a previsão média de retorno é de 10 a 18 meses, com faturamento médio mensal de R$ 12 mil.
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